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Demissão Voluntária e Inteligência Artificial: Mato Grosso diante de nova etapa da gestão pública

Data: 26/10/2026 13:50

Autor: Flávia Oliveira

imgMato Grosso vive um momento em que crescimento econômico e modernização da administração pública precisam caminhar juntos. Segundo estimativas da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), o PIB estadual cresceu 12,9% em 2025, enquanto a economia brasileira avançou 2,3%. Para 2026, o Banco do Brasil projeta crescimento de 2,2% para Mato Grosso, ainda superior à previsão nacional de 1,8%. Embora em ritmo mais moderado, diante de um cenário econômico desafiador e após um ano excepcional para a agropecuária, o Estado mantém perspectivas de expansão, reforçando a necessidade de uma gestão pública preparada para acompanhar esse desenvolvimento.
 
É nesse contexto que a discussão sobre a reorganização administrativa do Governo de Mato Grosso ganha relevância.
 
A articulação em torno de uma possível nova estrutura para coordenar a reforma administrativa e as recentes manifestações do procurador do Estado Rogério Gallo sobre a avaliação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), aliado aos impactos da Inteligência Artificial (IA), colocam em pauta uma reflexão indispensável sobre o futuro do serviço público.
 
Mais do que reduzir despesas ou estruturas, o desafio é consolidar um Estado eficiente, capaz de otimizar recursos, eliminar desperdícios e ampliar a qualidade dos serviços prestados à população.
 
Mato Grosso já demonstra avanços nessa direção. Em 2025, o Governo do Estado lançou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (ceIA.MT), iniciativa voltada à capacitação de servidores e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para a administração pública. A medida evidencia que a transformação digital já integra a agenda institucional do Estado e pode contribuir para consolidar seu protagonismo na modernização da gestão pública.
 
Entretanto, para que essa transformação produza resultados efetivos, três pilares são fundamentais:
 
Planejamento e responsabilidade fiscal: O eventual PDV, ainda em fase de avaliação e sem previsão de implementação imediata, deve ser tratado como uma alternativa planejada e voluntária, fundamentada em estudos técnicos, segurança jurídica e respeito aos direitos dos servidores. A eficiência administrativa não se resume à redução de gastos, mas à capacidade de aplicar melhor os recursos públicos.
 
Valorização e requalificação dos servidores: A inteligência artificial transformará inevitavelmente atividades e processos institucionais. Seu potencial está em automatizar tarefas repetitivas, reduzir a burocracia e permitir que o capital humano seja direcionado para funções estratégicas, gestão de políticas públicas e atendimento ao cidadão. Para isso, investir na capacitação dos servidores é tão importante quanto investir em tecnologia.
 
Autonomia tecnológica e governança: A modernização exige cautela para que a administração pública não substitua antigas limitações por uma dependência excessiva de fornecedores privados. Desenvolver competências técnicas internas, proteger os dados públicos e assegurar transparência na utilização da inteligência artificial são condições indispensáveis para uma transformação responsável.
 
A trajetória de crescimento de Mato Grosso oferece uma oportunidade para que o Estado avance também na qualidade de sua administração. Mas esse protagonismo deverá ser demonstrado por resultados concretos: serviços mais ágeis, processos simplificados, melhor utilização dos recursos e entregas efetivas à sociedade.
 
O verdadeiro choque de gestão não está em construir um Estado simplesmente menor, mas em torná-lo mais inteligente, eficiente e preparado para os desafios do futuro.
 
Mato Grosso tem a oportunidade de se consolidar como referência em uma nova etapa da gestão pública brasileira, na qual responsabilidade fiscal, inovação tecnológica e valorização dos servidores caminhem juntas.
 
Afinal, modernizar o Estado não significa apenas transformar estruturas, mas ampliar sua capacidade de servir à sociedade com eficiência, responsabilidade e respeito às pessoas.


* Flávia Oliveira é advogada e gestora governamental, pós-graduada em Direito Constitucional, Direito Tributário, Direito Administrativo e Gestão Pública.
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